Consumo e estoque baixo encarecem comida
Se o Brasil ficou praticamente imune à atual retração da economia mundial, não deverá se livrar dos efeitos da forte alta das commodities quando se refere à inflação, informa reportagem de Mauro Zafalon na edição dominical da Folha (íntegra do texto exclusiva para assinantes do jornal e do UOL). Por ser um dos principais produtores mundiais de grãos e carnes, o país terá impacto menor do que o dos importadores de alimentos. Mas a alta mundial acelerada já está presente na mesa dos consumidores brasileiros.
Foco de atenção dos líderes mundiais, que colocaram o preço dos alimentos no centro das prioridades globais, a alta preocupa também os brasileiros. Na média, os alimentos subiram 11,24% em 12 meses –mais do que o dobro da inflação em São Paulo no período, conforme informações da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). No período, o feijão subiu 168%; o óleo de soja, 56%; o pãozinho, 17%; o filé mignon, 22%; o leite em pó, 42%.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, diz acreditar que os preços das commodities vão continuar elevados, podendo, inclusive, mudar de patamar para cima em dois anos. “Os preços das commodities se formam lá fora. À medida que há aumento por lá, imediatamente bate aqui.”
Reações
A preocupação com a recente alta dos preços dos alimentos e o forte crescimento da demanda no mercado mundial foi tema de declarações de uma série de órgãos internacionais ao redor do mundo na semana passada.
Na quinta-feira (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, durante viagem à Holanda, que os recentes aumentos nos preços dos alimentos indicam que é necessário produzir mais em nível mundial, mas que não se pode culpar o investimento nos biocombustíveis pela pressão nos preços.
No dia seguinte (11), Lula voltou ao assunto ao afirmar que a elevação dos preços dos alimentos é “inflação boa”, que “convoca” os países a produzir mais e atender à demanda por alimentos no mundo. “A inflação sobre os alimentos é decorrente do fato de que as pessoas estão comendo mais”, disse Lula. “Ora, na medida em que mais gente começa a comer carne, produtos de soja, trigo… se a produção de alimentos não aumentar, obviamente que nós vamos ter inflação.”
No mesmo dia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também disse, em Washington, que acredita que o Brasil poderá se beneficiar da alta mundial de preços de alimentos. Segundo Mantega, a inflação alimentar “tem o lado ruim, de aumento de custo de alimentos, mas o lado bom, que é o do choque de oferta”. De acordo com o ministro, o Brasil se encontra em uma posição privilegiada, porque tem muitas terras agrícolas.
Também de manifestaram sobre o assunto na semana que passou o primeiro-ministro britânico, Gordon Brow, a ONU (Organização das Nações Unidas), o FMI (Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial e o representante da FAO (Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação) para América Latina e Caribe, José Graziano.
Fonte: folha.uol.com.br
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